sábado, 25 de dezembro de 2010

A Christmas Carol





Não fui visitada pelos 3 espíritos de Natal, como no conto de Charles Dickens, mas sim pelo último post da Ana Sinhana, que me motivou a deixar a casa com cheirinho de baunilha com o último weekend project. Marmitinhas fofas para toda a família. Sabe aquelas coisas que não conseguem ficar só no plano das idéias.
É difícil reunir todo mundo e essa data é oportuna para agradecer pela vida de cada um e ofertar pequenos mimos.

Minha mãe diz que a meia-noite do dia 31 de dezembro via os fogos pela janela da casinha do morro do São Bento mas não entendia o motivo. Praia,...minha vó dizia que tinha que pagar pra entrar.
Acho que o mínimo que posso dar aos mais velhos de minha família é um pouco de poesia pois a vida foi dura. Imagina só, minha vó ter uma poesia lida e dedicada a ela.

Então dia 23 corri pra escolher uma receita de cookies e comprar os materiais.

Cookies com Gotas de Chocolate e Nozes

Ingredientes:

2 colheres (sopa) manteiga sem sal
1/4 xícara de açucar granulado
1/2 colher (chá) de sal granulado
1 e 1/2 xícara de nozes picadas grosseiramente, levemente torradas

1 xícara de manteiga sem sal
4 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
2 e 1/2 colheres (chá) de bicarbonato de sódio
2 colheres (chá) de sal granulado, mais um pouco extra para polvilhar
1/2 xícara manteiga sem sal, amolecida
2 xícaras de açucar mascavo(com uma colher comprima o açucar no medidor, e encha-o totalmente)
1 xícara açucar granulado
4 ovos grandes
4 colheres (chá) de essência de baunilha
340g de chocolate meio amargo picado grosseiramente

Preparo:

Pré-aqueça o forno a 190°C. Unte uma forma.

Derreta 2 colheres de sopa de manteiga numa panela, em fogo médio, misture 1/4 de xícara de açucar e 1/2 colher de chá de sal e deixe ferver. Ferva por 1 a 2 minutos, mexendo sempre, até ficar marron dourado, misture as nozes, até estar bem misturado. Espalhe em uma forma e asse por 5 minutos ou até tostar. Deixe esfriar.

Derreta 1 xícara de manteiga em fogo médio, e deixe cozinhar, mexendo sempre, até começar a ficar marron e espumante, cerca de 5 a 7 minutos. Reserve.

Numa tigela, peneire a farinha e o bicarbonato e misture 2 colheres de chá de sal.

Em outra tigela, bata 1/2 xícara de manteiga, açucar mascavo e 1 xícara de açucar granulado até ficar bem misturado, cerca de 1 minuto. Acrescente a manteiga cozida e bata por mais 1 minuto. Acrescente os ovos e a baunilha e misture bem. Bata delicadamente os ingredientes secos. Com uma colher misture o chocolate e as nozes.

Leve a massa para descansar na geladeira por 1 hora (ou no freezer por 45 minutos).

Numa forma untada, faça bolinhas com a massa, no tamanho desejado, polvilhe um pouco de sal por cima e asse em forno prá-aquecido a 190°C por 12 a 14 minutos, ou até as bordas ficarem douradas

E ver a Ana-7 anos- que vive e respira poesia me conforta quanto ao futuro afetivo da família.

FELIZ 2011.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dandara




Usando a música do Maquinado dancei dia 18 de dezembro Dandara. A letra da música é didática e fala o que eu quero dizer. Não adianta mostrarmos manifestações da cultura negra só no mês de novembro. A história negra brasileira não precisa de beneficência e benevolência, de um mês, um feriado. Precisamos de identidade. Enquanto afro brasileiro soar como um eufemismo para preto continuamos com cara de papel pardo esquecido na prateleira de um bazar de bairro.


Dandara: Lúcio Maia

(Ê... Dandara)
Foi esposa e guerreira de Zumbi dos Palmares
(Ê... Dandara)
Junto com ele lutava para livrar os negros da dura vida que levavam

(Ê... Dandara)
Suicidou em 6 de fevereiro de 1694
(Ê... Dandara)
Para não voltar a posição de escrava nunca mais

(Ê... Dandara)
Dandara e Zumbi foram esquecidos de serem mencionados nos livros de história
(Ê... Dandara)
Como os primeiros revolucionários das américas, protegendo Quilombo dos Palmares do império
(Ê... Dandara)
Palmares, o último refúgio e mausoléu desta triste história de amor
E por alguma razão não são considerados heróis entre os brasileiros

Femi Kuti em Santo André




Desde seu anúncio esse show já era o mais esperado presente de Natal.
Foi simplesmente espiritual. Chegamos atrasados para M. Takara 3, e pontualmente para Maquinado. A Nação Zumbi sempre me tira de casa se estão por perto (Maresias, Santos, São Vicente, Santo André...). Primeira vez vendo Maquinado já sei que posso viajar algumas horas que valerá a pena. Dandara , Are you experienced? ...meu sorriso na foto traduz o momento.
Intervalo: DJ Nuts...tá loco. A voz dos marginais...João do Valle, Zé Ketti... Arsenal sonoro.
Femi Kuti: Um pregador, música de fé, de guerra. Fé cega, faca amolada contra as forças que remam contra a justiça. Um príncipe. As meninas dançando e cantando, a banda tocando, e nós chorando.
Let it beat
Let the Afro beat

sábado, 27 de novembro de 2010

É tudo verdade

Tão tardiamente a nação se colocou em um misto de pânico e medo. A intitulada Guerra do Rio já acumula mais de 50 mortos e 19o milhões em pânico.
A promesa da polícia de devolução da paz me dá medo. O tráfico me dá medo.A rua me dá medo. A mídia me dá medo.
Tendo uma visão cronológica da formação do país é tudo muito óbvio. As favelas cariocas foram refúgio dos negros pós Lei Áurea, pós Canudos.
A própria organização dessa sociedade criando guetos de refugiados da guerra do dia-a-dia cozinha revoltas lentamente que talvez a história classifique como atos heróicos ou não. Como aconteceu na revolta da chibata que completou 100 anos. Negros em guerra contra a Marinha lutando pelo fim dos castigos praticados pelos oficiais de tão prestigiado uniforme que ainda não tinham tirado o pé dos tempos escravagistas e aplicavam chibatadas como recurso educativo. Pois -como cruelmente riu-se o bonachão Almirante Hélio Leôncio Martins-era gente "muito mal preparada" e "eu mesmo aguentaria 500 chibatadas".
Ficou o herói João Cândido, que é nome proibido na história oficial dos mares.
E mesmo assim minha mãe, negra, cantava na escola os cisnes brancos da Marinha. O Exército, a Pátria mas não via nos livros o nome do Almirante Negro.
Educação segregadora.
Cadeia é o que o sistema quer. O William Waack diz que as cenas dessa semana são um mal necessário e fala na segunda do plural. "Queríamos ver isso há muito tempo". Eu não queria. Me diz se você não sabe que os caras vivem a guerra todo dia e você reza para que eles fiquem na paz deles e você na sua. O perigo na rua você conhece. Não me diga o contrário.
Milhões de órfãos de identidade. Marginais. Exija mudanças reais. Não seja cúmplice da mentira, do preconceito. Permita-se vestir de fé quando o dia pede guerra.
Temos duas potências em guerra e eu não levanto a bandeira de nenhuma delas.



Um povo com fome é um povo com ódio.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

15 de outubro

Pré 1, Professora Marisa, EMEI Aparecida da Costa Sinópoli. Chorei desesperadamente no primeiro dia de aula. Por que a minha querida vó tinha que ficar do outro lado do portão? Enfim, passado o dramático começo decorreu-se o ano letivo e em outubro do ano de 1991 tive meu primeiro dia dos professores significativo. Lembro de como minha mãe me envolvia na expectativa do dia. Compramos uma carteira para a Professora-nunca consegui chamar nenhuma de tia, será motivo de terapia?-.

Eu era a quietinha que derramava o Toddy pela carteira da sala porque depois do recreio (palavras que adoro) guardava a caixinha aberta na lancheira.
Uma vez perdi um pingente. Era a letra Mm de ouro. Um dos presentes bienais do meu pai que vinham na mesma frequência de sua presença. Ninguém viu a letra M, funcionários se mobilizam na busca. Nada.
A Professora então aparece de bicicleta na noite mais estrelada e quente. Dos meus cinco anos de idade pintei para sempre minha primeira professora como essa musa alada que vinha devolver itens à crianças desatentas e indefesas.
Todo ano dezenas de crianças levam um quadro meu e eu o delas, de suas famílias. Pintemo-nos com as mais coloridas tintas.
Obrigada pelo carinho. Sempre.

ps*Caixa de chocolate devorada ao fim da postagem; Orquídeas da Sofia estão na segunda floração.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tom Zé na Tarrafa Literária Santos

Quarta feira 22, imperdível show do lindíssimo Tom Zé, que junto com o planeta Júpiter aparece para nós, seres terrenos.
De graça! É só levar um livro.
Então até amanhã...lá às 21h. (Passando mal)

Vejam a justificativa ultra-baiana para o clássico "Atoladinha"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esotérico







A primeira cidade do país tem admiradores da cultura esotérica que movimentam a cena com bailes ao luar com direito a pé no barro e organzas circulares girando sem cessar. O 1º Evento Holístico e esotérico aconteceu neste fim de semana e eu, claro fui ver o lindíssimo bailarino e amigo Raphael Lopes com seu grupo de Odissi clássico da Rede Hayat Santos.
Até que nem tanto esotérica assim fiz uma prece a Santa Sara.



Só os loucos sabem. Parabéns Aline Benedito e Taísa Lira melhor direção olhar caiçara no Curta Santos. É nóis.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vídeo

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.

Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti

Sinopse: "Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?" Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

FONTE: Instituto Alana.

domingo, 12 de setembro de 2010

Lúdico-Ludus-iludir-ilusión


Hoje sustentabilidade e ecologia foi o eixo do Café Filosófico (todo domingo às 22h cultura).Eles reservaram um bloco para abordar a tão ululante máxima mundial, especialmente nessa nossa brasileira temporada eleitoral e eleitoreira de "que futuro vamos deixar pras nossas crianças".
Tente inverter o que e a quem.
Que crianças vamos deixar para nosso futuro?

Mesmo durante a Idade Média- sempre sinistra no nosso imaginário- deu-se o prazer de brincar. O lúdico é divino.Recolhe-te e brinca (São Tomás de Aquino).
Ora, então brincar seria para todos independendo a idade mas é claro que não sobra tempo para nós sendo adultos em 2010 vivendo a recente conquista da superioridade de áreas urbanas no país. (Descobri isso hoje...temos que voltar a pensar nisso).
Mas e as crianças? O que elas fazem além de brincar?
Sinto lhes informar mas o direito à ludicidade está sendo espremido por uma tendência que vem de muito tempo.

Minha motivação para hoje começar este blog veio do VMA. (Várias vezes por várias inquietações ou regozijos pessoais quis começar um blog, porém hoje juntei fôlego, alinhei a coluna e...nasceu) Graças à Selena Gomez. Nada sei a respeito, aliás, sei que faz filmes da Disney, logo deve ter seu álbum também. O que me prendia na imagem da menina metida num cansativo longo eram os olhos infantis naturais para seus 18 anos , diferente da artificialidade de todo o evento e de seus anfitriões que desfilam segurança, personalidade e muita atitude.

Não que astros mirins sejam exclusividade desses tempos. Lembram da Shirley Temple? O que é exclusivo desses tempos é o comportamento em massa também no período da infância criando consumidores precoces e tiranos.
Não culpo a Selena, o Justin Bieber, a Maísa. Eles não seriam ninguém sem a unilateral e enfadonha perspectiva comercial. E a quanto comercial as crianças de 2010 são expostas diariamente?

Observe a criança mais próxima e não deixe que sua auto estima seja quebrada pelos padrões; Não permita que nasçam sentimentos como preconceito no coração delas;Não ache que elas sejam menos inteligentes que nós adultos. Talvez se tornem tão estúpidas quanto, quando crescerem.