Tão tardiamente a nação se colocou em um misto de pânico e medo. A intitulada Guerra do Rio já acumula mais de 50 mortos e 19o milhões em pânico.
A promesa da polícia de devolução da paz me dá medo. O tráfico me dá medo.A rua me dá medo. A mídia me dá medo.
Tendo uma visão cronológica da formação do país é tudo muito óbvio. As favelas cariocas foram refúgio dos negros pós Lei Áurea, pós Canudos.
A própria organização dessa sociedade criando guetos de refugiados da guerra do dia-a-dia cozinha revoltas lentamente que talvez a história classifique como atos heróicos ou não. Como aconteceu na revolta da chibata que completou 100 anos. Negros em guerra contra a Marinha lutando pelo fim dos castigos praticados pelos oficiais de tão prestigiado uniforme que ainda não tinham tirado o pé dos tempos escravagistas e aplicavam chibatadas como recurso educativo. Pois -como cruelmente riu-se o bonachão Almirante Hélio Leôncio Martins-era gente "muito mal preparada" e "eu mesmo aguentaria 500 chibatadas".
Ficou o herói João Cândido, que é nome proibido na história oficial dos mares.
E mesmo assim minha mãe, negra, cantava na escola os cisnes brancos da Marinha. O Exército, a Pátria mas não via nos livros o nome do Almirante Negro.
Educação segregadora.
Cadeia é o que o sistema quer. O William Waack diz que as cenas dessa semana são um mal necessário e fala na segunda do plural. "Queríamos ver isso há muito tempo". Eu não queria. Me diz se você não sabe que os caras vivem a guerra todo dia e você reza para que eles fiquem na paz deles e você na sua. O perigo na rua você conhece. Não me diga o contrário.
Milhões de órfãos de identidade. Marginais. Exija mudanças reais. Não seja cúmplice da mentira, do preconceito. Permita-se vestir de fé quando o dia pede guerra.
Temos duas potências em guerra e eu não levanto a bandeira de nenhuma delas.
Um povo com fome é um povo com ódio.
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